Pesquisas das Tradições e do Folclore Baiano

 

Nide é uma pesquisadora das tradições e do folclore baianos. Estudou os costumes e cultos praticados na Bahia, com visitas a vários centros culturais, igrejas, templos e terreiros de Salvador.

Ela própria é uma baiana de raízes profundas. Bisneta de senhor de engenho e de escravos. Sua avó foi filha adotiva e única herdeira do senhor de engenho Manuel Garcia Rezende, na região de Laje. Cresceu ouvindo histórias da época da escravidão e das relações entre negros e brancos. Com o tempo aprendeu a valorizar as mulatas baianas, seus cultos e suas importantes contribuições à cultura regional. A Bahia não seria Bahia sem o sangue africano que deu origem ao samba, a capoeira, o acarajé e a muitas outras maravilhas.

Suas pesquisas lhe guiaram para pintar temas folclóricos ou com tradição baiana, como orixás, capoeira, maculelê, sambistas, preto-velhos, mulatas e outros.

A seguir, Nide relata histórias sobre a sensualidade das mulatas baianas.

 

Histórias de Minha Avó, por Nide Bacellar

Quando eu era menina ouvia de minha mãe muitos casos sobre os tempos de minha avó. Um deles exercia sobre mim um fascínio especial, tratava-se de histórias das escravas daqueles tempos.

Numa época em que ainda não eram conhecidos os métodos anticoncepcionais a única forma que as senhoras brancas conheciam de não ter mais filhos era abrir mão da fidelidade de seus maridos e ignorar os encontros deles com suas escravas.

Por sua vez, as escravas nas senzalas, dotadas de muita sensualidade, acentuavam ainda mais este dote para conquistar regalias junto ao patrão e seus filhos homens. Suas roupas muito gastas e com pouco tecido deixavam à mostra seus atributos de mulher, encantando seus patrões.

As roupas bordadas e rendadas das mucamas, nada mais eram do que as toalhas e lençóis usados e doados por suas patroas. Na cabeça elas usavam torços para esconder seus cabelos crespos. Sapatos não tinham, não havia formas para os seus pés castigados pelo labor.

Esses casos contados por minha mãe, guardados em minha memória, serviram de inspiração para que eu retratasse parte das histórias dessas negras sensuais, usando como instrumentos a minha criatividade e o meu pincel.

 

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Pesquisas das Tradições e do Folclore Baiano. Artista Plástica Nide, Arte em Salvador, Bahia

 

Acima, Iemanjá sob a forma da Divina Sereia, pintada por Nide em 1972, na versão caucasiana. (ampliar). Embaixo, ela pinta a mesma divindade na versão afro-brasileira. O sincretismo religioso permite diferentes versões mitológicas.

A Divina Sereia, por Nide Bacelar

Há mais mistérios nas águas dos rios e mares do que mostram as pesquisas científicas.

Os pescadores acreditam que as águas têm mãos poderosas, sabias e espirituosas. Creem que a divina mãe das águas, se misture com os murmúrios das ondas do mar, com o balanço do acalanto das águas.

Eles acreditam que, ao estender suas redes de pesca, recebem os peixes tangidos pela divina sereia, Iemanjá, a depender das significantes oferendas lançadas por eles ao mar. Muitos pescadores relatam terem visto a divina imagem na superfície das águas, trajada com vestes brancas leves, cabelos longos, exibindo com gesto ora risonho, com doçura, ora insinuando com voz suave, doce e melodiosa, sublimando seu sentimento. Muitas vezes, os pescadores não resistem e jogam-se ao mar para se encontrar com a rainha nas profundezas das águas.

No folclore baiano, os pescadores têm o dia dois de fevereiro, como o dia de Iemanjá. Todos os que acreditam nesse orixá, reúnem-se para fazer suas oferendas as águas, agradecimentos com flores, colares, perfumes e outros objetos que se referem à vaidade da mulher, a deusa das águas, senhora Iemanjá.

O sincretismo religioso funde e reinterpreta elementos oriundos de diferentes cultos. Na Bahia, é frequente a fusão de doutrinas católicas e africanas. No caso da Divina Sereia, adiciona-se contribuições da mitologia grega. Entretanto, a deusa das águas nem sempre é retratada como sereia.

 

Tela de Arte - Folclore baiano
Iemanja

 

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