Pesquisas das Tradições e do Folclore Baiano

 

Nide é uma pesquisadora das tradições e do folclore baianos. Estudou os costumes e cultos praticados na Bahia, com visitas a vários centros culturais, igrejas, templos e terreiros de Salvador.

Ela própria é uma baiana de raízes profundas. Bisneta de senhor de engenho e de escravos. Sua avó foi filha adotiva e única herdeira do senhor de engenho Manuel Garcia Rezende, na região de Laje. Cresceu ouvindo histórias da época da escravidão e das relações entre negros e brancos. Com o tempo aprendeu a valorizar as baianas, seus cultos e suas importantes contribuições à cultura regional. A Bahia não seria Bahia sem o sangue africano que deu origem ao samba, a capoeira, o acarajé e a muitas outras maravilhas.

Suas pesquisas lhe guiaram para pintar temas folclóricos ou com tradição baiana, como orixás, capoeira, maculelê, sambistas, preto-velhos e outros.

 

 

Acima, Iemanjá sob a forma da Divina Sereia, pintada por Nide em 1972, na versão caucasiana (ampliar). Embaixo, ela pinta a mesma divindade na versão afro-brasileira. O sincretismo religioso permite diferentes versões mitológicas.

 

 

A Divina Sereia, por Nide Bacelar

Há mais mistérios nas águas dos rios e mares do que mostram as pesquisas científicas.

Os pescadores acreditam que as águas têm mãos poderosas, sabias e espirituosas. Creem que a divina mãe das águas, se misture com os murmúrios das ondas do mar, com o balanço do acalanto das águas.

Eles acreditam que, ao estender suas redes de pesca, recebem os peixes tangidos pela divina sereia, Iemanjá, a depender das significantes oferendas lançadas por eles ao mar. Muitos pescadores relatam terem visto a divina imagem na superfície das águas, trajada com vestes brancas leves, cabelos longos, exibindo com gesto ora risonho, com doçura, ora insinuando com voz suave, doce e melodiosa, sublimando seu sentimento. Muitas vezes, os pescadores não resistem e jogam-se ao mar para se encontrar com a rainha nas profundezas das águas.

No folclore baiano, os pescadores têm o dia dois de fevereiro, como o dia de Iemanjá. Todos os que acreditam nesse orixá, reúnem-se para fazer suas oferendas as águas, agradecimentos com flores, colares, perfumes e outros objetos que se referem à vaidade da mulher, a deusa das águas, senhora Iemanjá.

O sincretismo religioso funde e reinterpreta elementos oriundos de diferentes cultos. Na Bahia, é frequente a fusão de doutrinas católicas e africanas. No caso da Divina Sereia, adiciona-se contribuições da mitologia grega. Entretanto, a deusa das águas nem sempre é retratada como sereia.

 

Pesquisas das Tradições e do Folclore Baiano. Artista Plástica Nide, Arte em Salvador, Bahia

 

Nide Bacelar

 

 

Iemanja

 

 

Afro Brasileira

 

 

 

Mulata do torço amarelo

 

 

Arte Bahia

 

 

Pesquisas das Tradições e do Folclore Baiano